A primeira ideia surge em 1962, proposta pelo psicólogo e cientista de computação do MIT, J. C. R. Licklider, descrevendo a sua ideia de criação de uma rede de computadores interligados, a Intergalactic Computer Network (Rede Intergaláctica de Computadores).
No entanto, foi no ano de 1969, em plena Guerra Fria, quando o Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América encarrega a Advanced Research Project Agency (ARPA) de criar um novo modelo seguro de troca e partilha de informações.
Os EUA temiam um ataque dos russos às suas instalações militares, colocando em risco informações confidenciais. Necessitavam de um novo modelo de partilha de informação segura, em rede, descentralizando-a do edifício do Pentágono, caso este fosse atacado pelos russos.
Assim a ARPA cria a ARPANet, um sistema para que, numa rede de computadores militares, circulasse livremente informação, a qual era fragmentada em pacotes de dados. A este sistema deu-se o nome de Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP).
O primeiro E-mail de todos os tempos é enviado a 29 de outubro de 1969, com a palavra “LOGIN” do computador emissor na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). No entanto, o computador receptor, localizado no Stanford Research Institute, apenas conseguiu receber as duas primeiras letras antes de deixar de funcionar.
Na década de 70, com a diminuição da tensão entre EUA e Rússia, e a menor probabilidade de ocorrer um ataque, os EUA permitem que os pesquisadores das universidades estudem o modelo da ARPANet, apenas na área da defesa e dentro das próprias universidades.
Esta abertura sobrecarregou a ARPANet devido ao aumento do numero de utilizadores (na altura apenas eram pesquisadores das universidades). Para contornar este constrangimento, dividiu-se a ARPANet na MILNET (para os militares) e na nova ARPANet (para os pesquisadores das universidades).
Nesta divisão, a nova ARPANet passa a ter além dos pesquisadores, os alunos das universidades e os amigos destes, o que permite que a rede seja aperfeiçoada mais eficazmente com as contribuições destes utilizadores.
O mesmo modelo de desenvolvimento, com as contribuições de jovens que seguiam uma ideologia de informação global, ocorreu posteriormente com a Internet. A este modelo de desenvolvimento/criação o sociólogo espanhol Manuel Castells referiu “A Internet é, acima de tudo, uma criação cultural”, in A galáxia da Internet.
Assim, surge um novo sistema – Internet Protocol (Protocolo de Internet) – que permite a comunicação entre redes, conectadas por um endereço de IP.
O governo norte-americano investe na criação de backbones (espinha dorsal da internet), que consiste numa ligação de alto fluxo de dados entre computadores potentes, e a este estão ligados os servidores, desenhando assim a Internet.
E é em 1992 que o cientista do CERN, Tim Berners-Lee, cria a World Wide Web e a Netscape cria o protocolo HTTPS (que vem permitir o envio encriptado de dados).
Neste ano, Al Gore refere o termo “superestrada da informação” (Superhighway of Information) ao sistema em que consiste a troca, partilha e constante fluxo de informação na rede global de cobertura mundial – A Internet.
O sucesso na implementação da Internet nos anos 90 deve-se aos dois grandes interesses: mundial e comercial. Ou seja, potencial financeiro e rentável com alcance mundial. Mais tarde surgem novas questões focadas no tratamento dos dados pessoais versus publicidade.
Na década de 90, a Internet é definida como uma rede global de computadores que comunicam entre si, permitindo que milhões de utilizadores troquem e partilhem informação digital.
A possibilidade de comunicar com outras pessoas e consultar informação que estejam em qualquer ponto do globo, independentemente do local onde estamos.
Nas décadas seguintes, a esta rede global juntam-se novos tipos de equipamentos, como telemóveis, televisões, gadgets, relógios, electrodomesticos, e muito mais. Passam a partilhar informação, conteúdos, controlo remoto, informação biométrica e todo um mundo de possibilidades. Chamamos de Internet das Coisas (IoT – Internet of Things).
Mas antes de tudo isso, como era o acesso e o funcionamento nos primórdios?
Nos anos 90, era necessário um computador e um modem ligado a um fornecedor de Internet, a linha telefónica.
No final da década de 90, passa a ser comercializado o serviço de Internet pela rede de cabo coaxial da TV Cabo. Só se torna possível quando passa a ser bidireccional o sinal.
Em 1990, o PUUG (Portuguese Unix Users Group) começa a comercializar ligações à Internet em Portugal.[11]
Internet em Portugal
1990 – PUUG (Portuguese Unix Users Group) inicia a comercialização de ligações de Internet.
1992 – A FCCN dá inicio aos registos de domínios com TLD .pt, atingindo os 40 domínios registados com TLD .pt em dezembro de 1993.
1992 – O primeiro servidor nacional é criado pelo LNEC.
1993 – Os alunos da Universidade do Minho têm o acesso à Internet.
1996 – Existem já 10 entidades licenciadas pelo ICP, para a prestação do acesso à Internet (ISP):
Telepac – Serviços de Telecomunicações, S.A.,
Comnexo – Redes de Comunicação, S.A.,
SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços, S.A.
AT&T – Portugal Comunicações, S.A.
TSVA – Telecomunicações e Serv. de Valor Acrescentado, S.A.
France Telecom – Redes e Serviços de Portugal, S.A.,
Sprint Portugal – Serviços de Comunicação, Lda.
Compensa – Empresa p/ o Desenv. Informático da Compensação, S.A.
IP Global – Informática e Telecomunicações, S.A., e
TID – Transferência Internacional de Dados, S.A.
Info: http://www.centroatl.pt/netnews/nn_ano1/edicao01/nn1_fai1.html